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Dr. Carlos Cartobei

Cirurgia de Hérnia de Disco: Quando é Indicada e Como Funciona

Cirurgia de Hérnia de Disco

A cirurgia de hérnia de disco é indicada quando o tratamento conservador não controla os sintomas, quando há perda de força progressiva ou quando existem sinais de compressão neurológica grave — e não apenas pelo tamanho da hérnia na ressonância. A maioria dos pacientes, seja com hérnia lombar ou cervical, melhora com tratamento conservador, e a proporção que efetivamente precisa de cirurgia é pequena diante do total de diagnósticos.

Quando a cirurgia é realmente indicada

  • Falha do tratamento conservador: dor persistente apesar de fisioterapia, medicação e, quando indicado, infiltração, geralmente após seis a doze semanas de tratamento bem conduzido.
  • Déficit neurológico progressivo: perda de força em um braço ou perna que vai piorando ao longo do tempo.
  • Dor incapacitante: intensidade que compromete significativamente a rotina, o sono ou o trabalho, sem resposta ao tratamento clínico.
  • Sinais de compressão neurológica mais grave: síndrome da cauda equina (lombar) ou mielopatia (cervical) — nesses casos, a cirurgia costuma ser indicada precocemente, muitas vezes em caráter de urgência.

O tamanho ou o tipo da hérnia na imagem (protrusão, extrusão, sequestro) não define sozinho a necessidade de cirurgia — o que pesa mais é a correlação entre o exame de imagem e o quadro clínico do paciente.

Casos de urgência x casos eletivos

  • Urgência: síndrome da cauda equina (perda de controle da bexiga ou intestino, dormência em sela), mielopatia com progressão rápida, ou perda de força importante e súbita. Nesses casos, a avaliação e a cirurgia não devem ser adiadas.
  • Eletivos: a grande maioria dos casos, decisão tomada com calma após tentativa adequada de tratamento conservador, considerando impacto na qualidade de vida e preferência informada do paciente.

Como funciona a cirurgia

  1. Anestesia: geral ou, em algumas técnicas, raquianestesia/sedação, conforme a região da coluna e a técnica escolhida.
  2. Incisão e acesso: pequena incisão (em técnicas minimamente invasivas, de poucos centímetros), conforme o nível da coluna e a técnica.
  3. Remoção do fragmento herniado: com microscópio ou câmera endoscópica, o cirurgião remove apenas o fragmento que comprime o nervo ou a medula, preservando as estruturas saudáveis ao redor.
  4. Fechamento: dependendo da técnica (como na ACDF), pode-se usar espaçador (cage) e fusão das vértebras.
  5. Duração: a maioria dos procedimentos dura entre uma e duas horas, variando conforme a complexidade e a técnica.

Principais técnicas cirúrgicas hoje

  • Microdiscectomia: mais utilizada para hérnia lombar, com microscópio, incisão pequena e boa recuperação.
  • Discectomia endoscópica: ainda menos invasiva, guiada por câmera, com potencial de menor dano muscular.
  • ACDF: técnica mais consolidada para hérnia cervical, remove o disco e funde as vértebras adjacentes com um espaçador.
  • Artroplastia cervical: alternativa à ACDF que implanta uma prótese de disco, preservando o movimento no nível operado.

Para o detalhamento de cada técnica, veja os artigos sobre hérnia de disco lombar e hérnia de disco cervical.

Riscos reais da cirurgia

  • Infecção
  • Sangramento
  • Lesão neural (rara, mas possível)
  • Recidiva da hérnia no mesmo nível operado

O avanço das técnicas minimamente invasivas reduziu significativamente a frequência dessas complicações em comparação com técnicas cirúrgicas mais antigas. Seleção criteriosa do paciente, planejamento por imagem e mobilização precoce no pós-operatório também ajudam a reduzir os riscos.

Recuperação e retorno às atividades

  • Muitos pacientes recebem alta no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento.
  • A mobilização é estimulada precocemente — muitas vezes já nas primeiras horas após a cirurgia.
  • A fisioterapia pós-operatória costuma apoiar a recuperação da força e mobilidade.
  • O retorno gradual às atividades costuma ocorrer ao longo de algumas semanas, com liberação progressiva conforme orientação médica.

O alívio da dor irradiada e do formigamento costuma ser percebido logo após a cirurgia, embora a recuperação completa da força muscular, quando havia déficit, possa levar mais tempo.

FAQ

É verdade que a maioria dos pacientes com hérnia de disco não precisa de cirurgia? Sim. A grande maioria responde bem ao tratamento conservador; a cirurgia é reservada para os casos que não melhoram ou apresentam sinais de comprometimento neurológico mais importante.

A cirurgia é perigosa? Como qualquer cirurgia, tem riscos, mas eles são considerados baixos com as técnicas atuais, especialmente com casos bem selecionados e técnicas minimamente invasivas.

Quanto tempo fico internado? Varia conforme a técnica, mas muitos procedimentos permitem alta no mesmo dia ou no dia seguinte.

A hérnia pode voltar depois da cirurgia? Existe um risco, ainda que baixo, de recidiva no mesmo nível operado, principalmente se os fatores de risco controláveis não forem ajustados após a recuperação.

Quanto tempo demora para voltar a trabalhar? Depende da técnica, do tipo de trabalho e da evolução individual — o retorno costuma ser gradual, ao longo de algumas semanas, conforme orientação do cirurgião.

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Dr. Carlos Cartobei

Neurocirurgião em São Paulo
CRM 256.772 | RQE 129.3030

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