Hérnia de disco cervical é o deslocamento do núcleo do disco intervertebral na região do pescoço — mais comumente entre C5-C6 ou C6-C7 —, que pode comprimir uma raiz nervosa ou, em casos mais avançados, a própria medula espinhal. O quadro mais comum é a cervicobraquialgia: dor que começa no pescoço e irradia para ombro, braço, antebraço ou mão. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador, mas o diagnóstico precoce é importante para identificar os casos que precisam de avaliação mais urgente.
O que causa a hérnia de disco cervical?
- Degeneração discal relacionada à idade: os discos perdem água e elasticidade ao longo dos anos, tornando-se mais suscetíveis a fissuras.
- Predisposição genética: influencia a velocidade de degeneração do disco.
- Postura: cabeça projetada para a frente por longos períodos (celular, computador) sobrecarrega a coluna cervical.
- Movimentos repetitivos ou traumas.
- Tabagismo: reduz a oxigenação do disco, acelerando sua degeneração.
- Sedentarismo: musculatura cervical pouco fortalecida oferece menos suporte.
Sintomas principais
O sintoma mais característico é a dor cervical irradiada para ombro, braço, antebraço ou mão, seguindo o trajeto da raiz nervosa comprometida, muitas vezes com formigamento ou fraqueza. Também são comuns rigidez no pescoço e dificuldade para virar a cabeça. Para o padrão de sintomas por raiz nervosa (C5 a C8), veja o artigo completo sobre sintomas de hérnia de disco.
Radiculopatia x mielopatia: por que essa diferença importa
- Radiculopatia cervical: a hérnia comprime apenas uma raiz nervosa específica. Sintomas seguem um trajeto definido (de um nível da coluna até uma parte do braço ou mão), e a maioria melhora bem com tratamento conservador.
- Mielopatia cervical: a hérnia comprime a própria medula espinhal. Sintomas mais difusos — alteração de equilíbrio e coordenação ao caminhar, dificuldade com movimentos finos das mãos e, eventualmente, fraqueza em mais de um membro. É considerada mais séria, e a avaliação precoce é importante: quanto antes tratada, melhor tende a ser a recuperação neurológica.
Como é feito o diagnóstico
Começa pela história clínica e pelo exame físico e neurológico, que ajudam a diferenciar radiculopatia de mielopatia e a localizar o nível envolvido. A confirmação é feita por ressonância magnética da coluna cervical.
Tratamento conservador
Na maioria dos casos de radiculopatia, sem sinais de mielopatia:
- Medicação para dor e inflamação
- Fisioterapia, incluindo terapia manual e exercícios específicos para a região cervical
- Ajuste temporário de posturas e atividades que sobrecarregam o pescoço
- Infiltração (bloqueio) com corticoide e anestésico local, quando a dor persiste apesar da fisioterapia
Boa parte dos pacientes apresenta alívio significativo dentro de algumas semanas.
Quando a cirurgia é indicada
- Dor ou sintomas radiculares que não melhoram após cerca de seis a doze semanas de tratamento conservador bem conduzido
- Déficit neurológico progressivo, como perda de força no braço ou na mão
- Presença de mielopatia — indicação que costuma ser considerada precocemente, já que o atraso pode comprometer a recuperação
- Dor incapacitante, refratária ao tratamento clínico
ACDF x artroplastia cervical: as principais opções cirúrgicas
ACDF (discectomia cervical anterior com fusão): o disco danificado é removido e o espaço é preenchido com um espaçador (cage) e enxerto ósseo, promovendo a fusão das vértebras adjacentes. É a técnica mais consolidada, com alta taxa de sucesso no alívio da dor.
Artroplastia cervical (prótese de disco): em vez de fundir as vértebras, uma prótese de disco artificial é implantada para preservar o movimento no nível operado, com a proposta de reduzir o desgaste dos níveis vizinhos. Estudos mostram resultados clínicos equivalentes entre as duas técnicas em pacientes bem selecionados, mas a artroplastia não é indicada em todos os casos — costuma ser contraindicada quando já existe artrose cervical avançada ou instabilidade da coluna.
A escolha depende de fatores como idade do paciente, número de níveis afetados e condição das articulações cervicais, e deve ser discutida individualmente com o neurocirurgião.
Recuperação
Após tratamento conservador bem-sucedido, a melhora expressiva costuma ocorrer em algumas semanas. Após ACDF ou artroplastia cervical, a internação costuma ser curta (24 a 48 horas), com uso de colar cervical por período variável e fisioterapia no pós-operatório.
FAQ
Hérnia de disco cervical sempre precisa de cirurgia? Não. A maioria dos casos de radiculopatia, sem sinais de mielopatia, melhora com tratamento conservador.
Qual a diferença entre radiculopatia e mielopatia cervical? A radiculopatia é a compressão de uma raiz nervosa específica, com dor irradiada num trajeto definido no braço. A mielopatia é a compressão da própria medula, com sintomas mais difusos (equilíbrio, coordenação, movimentos finos das mãos) e é considerada mais grave.
ACDF ou artroplastia cervical: qual é melhor? Depende do caso — estudos mostram resultados equivalentes em pacientes bem selecionados; a escolha considera idade, número de níveis afetados e presença de artrose avançada, que pode contraindicar a artroplastia.
Hérnia cervical pode causar tontura ou dor de cabeça? Dor de cabeça associada à tensão cervical é relativamente comum. Tontura não é um sintoma típico isolado da hérnia cervical e, quando presente, merece investigação de outras causas.
Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia? Internação costuma ser curta (24 a 48 horas em ACDF ou artroplastia), com retorno gradual às atividades nas semanas seguintes, conforme orientação médica e fisioterapia.
